Domingo, 23 de setembro de 2018


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Cidade

Desmatamento e poluição tomam conta do Rio Itapecuru

Responsável pelo abastecimento de quase metade do Maranhão, o Rio Itapecuru enfrenta um processo de desmatamento e poluição desenfreada.


James Galvão

05/06/2018 17h24 - Atualizado em 05/06/2018 18h13


Lixo toma conta da vegetação as margens do Rio Itapecuru (Foto: James Galvão)

O Rio Itapecuru é o mais maranhense de todos os rios, as suas águas são responsáveis por abastecer 55 municípios maranhense, ou seja, quase metade da população do Estado consome água potável oriunda deste rio.

Apesar de toda sua importância e beleza, ao longo de toda sua extensão, não é difícil perceber a quantidade de lixo que é jogado nas margens dos seus afluentes, afetando diretamente o Rio Itapecuru.

“Infelizmente, nós maranhenses não reconhecemos e não valorizamos este importante recurso natural. Esta afirmação é uma consequência da forma como tratamos o rio à medida que utilizamos os seus recursos sem levar em consideração que os mesmos podem findar. Ao longo de seu percurso, muitas cidades despejam vários tipos de resíduos sólidos em seu leito promovendo a poluição da água e a degradação do rio. Também tem a questão da retirada da vegetação ribeirinha, mata ciliar, ocasionando a degradação das margens e o, consequente, processo de assoreamento que é agravado pela retirada e exploração irregular de areia”, explica o Professor Mestre em Desenvolvimento socioespacial e Regional e Doutorando em Desenvolvimento e Meio Ambiente, José Edilson do Nascimento.

José Edilson Nascimento, Professor do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) - Mestre em Desenvolvimento socioespacial e Regional e Doutorando em Desenvolvimento e Meio Ambiente

Ainda de acordo com o professor, o cidadão precisar ter consciência e saber conservar os recursos naturais. “É necessário que tomemos consciência e passemos utilizar racionalmente os recursos ofertados pelo Rio Itapecuru. O poder público precisa tratar com seriedade a questão, pois até o momento as propostas governamentais não conseguiram sair do campo das ideias. Basta lembrarmos o projeto S.O.S. Itapecuru proposto no início dos anos 90 e, mais recentemente, o Projeto de Rios Perenes de iniciativa da Assembleia Legista que não evoluíram. Portanto, neste momento que o Sistema Italuís estar ampliando a oferta de água para a capital maranhense a partir da captação de água do nosso sofrido Rio Itapecuru, é necessário que repensemos o tratamento dispensado a este importante recurso natural”.

“A poluição é grande. É saco, garrafa, cavalo morto, tudo que não presta o povo joga no rio. O pessoal do Meio Ambiente vem aqui, mas ninguém respeita, com tanta sujeira, os peixes diminuíram muito, agora só dá uns “cascudinhos”, para nós que moramos aqui na beira do rio, é muito ruim. Daqui uns anos não vamos mais ter o que botar na mesa, como vamos viver sem ter o que pescar? É triste o que está acontecendo com nosso rio”, desabafou o pescador Zé Alegria (vídeo abaixo) que mora às margens do Rio Itapecuru desde 1978.

Projeto de Preservação

O governo do Maranhão, através da Secretaria de Meio Ambiente, criou em 12 setembro de 2017 via decreto nº 33.328, o Projeto “Berco do Itapecuru” que objetiva conservar e recuperar as nascentes e cursos dos Rios Itapecuru e Alpercatas, localizados no interior do Parque Estadual do Mirador.

Por meio do projeto, 198 famílias que vivem no parque serão beneficiadas com uma bolsa no valor de R$ 300,00 bimestrais, mediante assinatura de Termo de Adesão para receberem um cartão que permitirá sacarem a quantia.



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