Quarta-Feira, 18 de outubro de 2017


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Morre cantor e compositor Luiz Melodia


O Globo

04/08/2017 11h31 - Atualizado em 04/08/2017 11h32


Luiz Melodia

Luiz Melodia faleceu na madrugada desta sexta-feira, no Rio, por volta das cinco horas da manhã, em decorrência de complicações de um câncer que atacou a medula óssea. No começo de junho, ele havia recebido alta do hospital Quinta D’Or após 3 meses internado. Animado, o cantor planejava voltar aos palcos e estúdios até o fim do ano, mas o câncer voltou e o estado de saúde de Melodia se agravou bastante nesta quinta-feira.

Filho do funcionário público Oswaldo Melodia e da costureira Eurídice, Luiz Carlos dos Santos foi criado em local de história nobre e IDH cronicamente pobre: o morro de São Carlos, no Estácio, bairro conhecido como berço do samba – onde Ismael Silva fundou a Deixa Falar, pioneira das agremiações carnavalescas cariocas.

Acostumado desde os 8 anos a ser arrastado pelo pai, músico amador, para as rodas boêmias da região, ele cresceu sem se prender exclusivamente à tradição local de samba, seresta e choro. A partir dos gostos paterno e materno, aprendeu a curtir boleros de Anísio Silva, o samba dor-de-cotovelo de Lupicínio Rodrigues e a música nordestina de Gonzagão e Jackson do Pandeiro.

Mas a janela para o mundo se abriu mesmo com programas como “Hoje é dia de rock”, que Jair de Taumaturgo comandava na Rádio Mayrink Veiga desde o fim dos anos 50. Aos poucos, o menino que sonhava em ser ponta-direita do Vasco foi tragado pelo iê-iê-iê da vizinhança (a rua Haddock Lobo, reduto da Jovem Guarda, começa no Largo do Estácio) e montou conjuntos semiprofissionais para embalar bailinhos nas comunidades da área. Houve Os Instantâneos e Os Filhos do Sol, que tocavam tudo que fosse necessário para animar uma festa, com inglês de puro embromation.

Melodia também frequentou programas de calouros, com relativo sucesso: na rádio Mauá, ficou em primeiro lugar em um concurso com sua interpretação de “Rosita” (de Francisco Lara e Jovenil Santos), faixa do LP “Roberto Carlos Canta Para a Juventude”, de 1965.

Suas primeiras composições eram ingênuas. Aos poucos, porém, o fã do romantismo bubblegum de cantores como Chris Montez foi incorporando influências mais modernas: do Nat King Cole que ouvia na vitrola do tio passou para o blues de Taj Mahal e, principalmente, o tropicalismo.


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